É um museu sobre a história dos vinhos, onde você vê inúmeros videos, hologramas, sente cheiros característicos aos vinhos e tão citados por sommeliers e ao final, ainda degusta uma taça de vinho no andar superior do prédio. É como um Louvre do vinho.
Região conhecida por 3 uvas: Chenin Blanc, Sauvignon Blanc e Cabernet Franc.
Lá você vai encontrar os melhores vinhos da França nestas 3 variedades, sendo a região muito famosa também por seus espumantes.
Nossa primeira parada foi a caminho de Saumur, na cidade de Parnay.
Parnay é conhecida pelas casas e caves serem escavadas no solo da região, que nada mais é do que puro giz.
Na beira da estrada, encontramos a sala de degustação do Chateau de Parnay.
A região de Parnay e Saumur, trabalha basicamente com 100% Cabernet franc e 100% Chenin Blanc, com variedades passando por madeira ou não.
Como aficionados por Cabernet Franc da Argentina, foi um grande prazer entender melhor sobre os 100% Cab Franc da França. Com menos características verdes e de pimenta, do que os seus “vizinhos” do Sul, os Cab Franc desta região entregam muita fruta, que são balanceadas em seu estágio em madeira. Se preferirem vinhos frutados, o ideal é escolher um que não passe por barrica.
Chamada Clos D’Entre Les Murs, foi construída em 1894 e possui uma técnica única de orientação das vinhas.
O resultado, um excelente Chenin Blanc, concentrado e complexo, daqueles históricos, que tivemos a oportunidade de provar.
Existe uma rua em Saumur, onde ficam muitas caves de espumantes, um atrativo local.
Você pode buscar por Bouvet-Labuday e Ackerman, que ficam nesta rua. Visitando estas duas, já vai provar mais de 15 espumantes. Porém se quiser pode parar em mais umas cinco casas que ficam praticamente uma ao lado da outra.
Bouvet-Labuday, é famosa por ter um vinho de uvas provenientes da vinícola do ator Francês Gerard du Pardie.
Nesta adega, uma das mais famosas da região, provamos espumantes tintos, feitos com Cabernet franc, brancos envelhecidos em barrica, outros sem sulfito, vinhos doces, etc… Tem para todos os gostos. É uma verdadeira aula “in loco”.
O atendimento é excelente e achamos que foi o melhor lugar para entender os vinhos da região. Você pode provar toda a extensa linha de vinhos da casa. Se nós recomendamos parar na Bouvet, na Ackerman então, a parada é obrigatória! Nossa próxima noite foi em Chinon, não sem antes passar no Museu do Champignon, para provar a cerveja de Shiitake.
A melhor combinação para a bebida são os champignons frescos, produzidos no local. Você pega do cesto, “sacode” a terra e come cru mesmo, totalmente natural, delícia!
Nas ruas históricas de Chinon, logo atrás do hotel que ficamos, Joana d’Arc, considerada uma heroína pela França e uma Santa pela igreja Católica, se encontrou com o Charles VII, pois esta teria recebido uma mensagem divina para salvar o rei e seu reino. Coisas da época. Provamos muitos Cabs Franc em Chinon, são bem frutados e leves, puxando para um mix entre Beaujolais e Pinot Noir. Não se comparam aos 100% Cab Franc de Argentina e Chile, que carregam em toques de pimentão e pimenta.
Ficamos no hotel Hostellerie Gargantua, onde comes uma bela carne, acompanhada de um Cabernet Franc é claro.
Note que as principais cidades para estes reds são Chinon, Bourgueil e Saumur-Champigny.
Mas, sendo sincero… fomos a Loire em busca dos Chenin Blanc, principalmente os de Vouvray e os Sauvignon Blanc de Sancerre.
E não nos decepcionamos, os vinhos de Vouvray, trazem um tom mineral aos florais Chenin Blanc, fazem jus a fama.
Nossa primeira parada foi no Chateau Gaudrelle, onde você pode degustar as 4 “caras” de Vouvray: Os Espumantes, secos, semi-secos e de sobremesa.
Foi na Cave de Vouvray, que encontramos as melhores surpresas.
A melhor delas, o 100% Chenin Blanc, chamado Rosnay. A garrafa custa €8.40 na vinícola.
Em Vouvray, resolvemos comprar alguns vinhos no supermercado, uns queijos, baguette e desfrutar o hotel, uma antiga vinícola que parecia mais um castelo.
*A foto de capa do post, tiramos no hotel, chamado Domaine des Bidaudières.
Existem apenas duas uvas em Sancerre, Sauvignon Blanc e Pinot Noir. Como sua fama vem dos brancos, então vamos a eles.
Quando falamos de Sauvignon Blanc, é inevitável a comparação com os astros da região de Marlborough, na Nova Zelândia. Porém, ao contrário destes vinhos com tons verdes, ervas e grama, os Sauvignon Blanc de Sancerre aportam muita acidez, mineral acentuado e aromas florais e de fruta.
São vinhos completamente diferentes um do outro. Incrivelmente, uma região logo ao lado de Sancerre, chamada Pouilly-Fumé, produz também um outro tipo de vinho, usando a mesma uva, porém são mais encorpados, frutados e com mais cor que seus vizinhos de Sancerre.
Erroneamente, muitos autores falam que Pouilly-Fumé tem um retrogosto de fumaça, pois se deixam levar pelo nome fumé e associam a defumado/fumaça. Como uma mentira contada varias vezes vira verdade, estes “especialistas”, repassam a informação errada, através do famoso copy-paste.
Por isso que nós, do Locoporvino, somente falamos de lugares onde já colocamos nossos pés, sentimos os cheiros, sabores, tocamos o produto e falamos com quem produziu. Em Locoporvino we trust!
O Nome Fumé, segundo conversamos com locais e a oficina de turismo de Sancerre, provavelmente vem associado a neblina matinal que existe na região, que parece fumaça, mas não é. Consequentemente, em nada vai agregar sabor de bacon ao vinho, como já li por ai.
Em Sancerre, visitamos uma vinícola biológica e biodinâmica (vamos explicar em outro post o que é isso) muito legal, chamada Domaine Fouassier.
La, provamos vinhos de diferentes lotes e tipos de solo. Isto é comum em Sancerre, evitam blends e fazem vinhos de pequenos lotes para diferenciar o terroir.
Raramente passam por barrica. O segredo dos Sauvignon Blanc é a mineralidade e acidez que não podem ser ofuscadas pela barrica. No centro da cidade, visitamos o Domaine Vacheron. Nós falando um pouco de francês e o dono um pouco de inglês, juntando tudo saiu alguma coisa… Ele nos mostrou os diferentes solos e fósseis da região, onde suas uvas estão plantadas. Alguns fósseis são de 148 milhões de anos, época em que Sancerre ainda era mar. Fantástico não?
Combinando tudo isso, este vinho levou o prêmio de ser o melhor, dentre os que degustamos.
Hoje, concordo com esta afirmação, e acrescento… Quem não gosta de Rosé, é porque nunca tomou um vinho de Provence, no verão Francês.
Outras cidades em Loire para conhecer, se tiver tempo, são Amboise e Tours.
Quando se chega em Loire, a impressão é que precisamos de 1 mês inteiro para ver tudo. Uma cidade mais linda que a outra, onde castelos e vinícolas, compõem a paisagem de uma das regiões mais charmosas da França.
Se quiser planejar suas próximas férias por lá, não irá se arrepender. Se quiser visitar os Castelos e parar em mais cidades, prepare uns belos 30 dias para ver tudo.
Antes de deixar a França e seguir viagem, passamos para provar as famosas cidras da região de Calvados e ver o por do sol no Mont Saint Michel. Experiência única!
Cheers!