Mudamos de Hotel para ficar mais próximo das vinícolas, pois assim como outros países, Argentina tem tolerância quase Zero para álcool x direção.
Primeira parada foi no místico, carismático, quase o Maradona dos vinhos, Sr. Carmelo Patti.
Carmelo Patti é uma vinícola garagem que está a quase 30 anos em atividade, sempre nas mãos talentosas de seu dono.
Sendo um vinho de autor (quando o Enólogo compra as uvas de algum produtor), os vinhos de Carmelo sempre atingem pontuação altíssima entre as badaladas classificações, como a revista Descorchados.
Chagando na frente da vinícola não encontramos nenhuma placa, faixa, nada… apenas uma casa com um portão aberto.
Entramos e na hora um senhor sai para nos atender, o próprio Carmelo Patti.
Provamos Malbec, Cabernet Sauvignon de diferentes anos e um Blend fantástico.
O que significa pronto para beber? Alguns vinhos precisam de tempo de garrafa para estarem com os taninos menos agressivos e para homogeneizarem todos os componentes, tornando-se vinhos equilibrados.
Muitas vezes você compra um vinho 2018 e as bodegas falam, é um vinho que ficará bom em 10 anos. Mas quem vai guardar um vinho por 10 anos? Carmelo guarda para você e só vai vender-los quando estiverem “prontos”.
Em nossa visita compramos o aclamado Cabernet Sauvignon, hoje ele vende apenas os 2006, 2007 e 2008, vinhos guardados por ele por 10 anos ou mais.
Os vinhos ficam nessas caixas por alguns belos anos, se você quiser comprá-los antes, vai receber um não!
Com tanto cuidado com o produto, não é por acaso que seus vinhos estão em todas as lojas de Mendoza.
Levamos nossa garrafa autografada para casa, um orgulho.
Uma das vinícolas mais famosas da região se chama Achaval Ferrer.
O que poucos sabem é que Achaval foi vendida em 2013 para um grupo de Russos e teve todo o seu time modificado, então temos um vinho antes e um vinho depois de 2013.
Para felicidade de todos, o antigo dono de Achaval Ferrer, Santiago Achaval, abriu sua vinícola logo ao lado, se Chama Matervini!
Em Matervini encontramos uma vinícola com produção limitada, vinhos raros onde você pode fazer a degustação procurada por muitos, 100% Malbec de diferentes regiões!
Imagine provar vinhos 100% Malbec, de diferentes partes de Mendoza com um nome como Santiago Achaval por de trás de tudo.
Matervini fica a alguns metros antes da entrada de Achaval Ferrer, vale muito a parada! Degustações apenas com hora marcada.
Entre barricas de carvalho você pode encontrar motores de Ferrari, Porsche e de um carro de F1.
Um barril destes sai bem caro, somado ao trabalho de pequenos lotes vinificados em madeira, produzem um vinho exclusivo e complexo… se quiser provar, só levando uma garrafa para casa, não está incluído nas degustações devido a produção limitada.
Taninos presentes mas não agressivos, toque de frutas e característica marcante de pimenta, pimentões grelhados, e especiarias. É um vinho tão marcante que podemos reconhecê-lo facilmente, de olhos fechados, apenas pelos aromas.
Cobos marca pela degustação! O foco da visita está nos vinhos e debater sobre suas diferenças e não em tours de 1 hora, repetindo tudo que você já ouviu em vinícolas anteriores.
Depois de 2 vinícolas visitadas, fomos direto a Cobos e não paramos para comer… Saindo do carro, aquele cheiro de churrasco, olhamos para o lado e era uma confraternização dos empregados… nossa, a fome estava grande, fomos apresentados na vinícola e o sommelier nos perguntou, querem comer algo? Gentilmente ele nos trouxe pão, linguiça, carnes, etc… Quase pedimos uma rede depois, mas enfim, vamos aos vinhos.
Cobos possui uma linha de vinhos jovens da série “Felino”, para serem tomados dia a dia, bem refrescantes, sem muita complexidade, excelentes para o verão.
Porém sua fama começa por sua linha Bramare, onde vinhos de parcelas limitadas expressam as diferenças de cada terroir.
Muitos perguntam: Vale a pena? 300 doletas?
Resposta direta: Se você é um profundo conhecedor de vinhos e possui dinheiro sobrando sim!
E essa é a resposta que damos a vinhos que custam mais de $50 dólares… Trabalhamos em viários vinhedos pelo mundo, com muitos Enólogos e todos afirmam que vinhos mais caros que $50 dólares, geralmente é jogada de marketing e são para 3 públicos: Profissionais, colecionadores ou “Enochatos” que querem fazer média com amigos e tomarem um “rótulo”.
Alguns vinhos possuem técnicas bem especificas de vinificação, de vinhedos pequenos e renomados, longos tempos de guarda, produção limitada de Enólogos famosos e outros fatores que podem justificar o preço;
Outros são de safras excepcionais, com mais de 10 anos, muitos um pedaço de história e que também justificam o valor;
E finalmente existem as marcas, assim como Lacoste e Louis Vuitton, existem marcas que elevam o nome dos vinhos e consequentemente seu valor.
Um exemplo clássico… pessoas tirando foto com a famosa Champagne Veuve Clicquot, um ótimo produto, mas uma marca! A maioria que compra não saberia diferenciar uma Clicquot de qualquer outra Champagne de produtores menores e mais baratas.
Nos próximos posts vamos fazer uma lista dos melhores vinhos que provamos na América do sul e seus respectivos valores. Teremos vinhos caros, contrastando com vinhos de pouco mais de $10 dólares, provando que valor de vinho não necessariamente reflete em produtos melhores, então fiquem ligados!
Mas enfim, nada melhor que visitar a bodega e poder provar estes exemplares sem precisar comprar as garrafas.
Cobos vale a pena pela atenção dada aos turistas e pela oportunidade de provar vinhos deste patamar.
No dia seguinte fomos provar os potentes vinhos da Bodega Altavista, incluindo o famoso Altavista Temis, 100% Malbec, Single Vineyard, que já ficou entre os 3 melhores vinhos da Argentina.
Temis, um Malbec de vinhedos únicos, com alto grau alcoólico, madeira bem integrada e que sempre recebe altas pontuações de revistas especializadas.
Alto, um blend muito bem feito de Malbec e Cabernet Sauvignon, top de linha com 14 meses em barrica de carvalho Francês, maduro, muita potência e boa textura, vale a pena a prova!
A degustação é feita em um antigo tanque, do ano de 1912, que guardava mais de 350 mil litros de vinho, pois antigamente as vinícolas eram reconhecidas por quantidade e não qualidade.
Um vinho envelhecido 24 meses em barril de carvalho T5 ( o melhor), 48 meses em garrafa e 100% Cabernet Sauvignon.
Muitos procuram apenas por DV Catena Malbec, sem saber que existem diferentes rótulos, de diferentes vinhedos. Com o tempo degustando vinhos, você começa a entender as diferenças e comprando o vinho adequado ao seu paladar.
Você pode provar uvas, degustar vinhos na barrica e comparar com os que já possuem tempo em garrafa e ainda tomar os vinhos em uma sala especial com salames, queijo e azeite de oliva local, uau!
Provar Malbecs de diferentes regiões, entendendo a expressão de clima e solo, ou seja, de diferentes Terroir e ainda no maior nome da Argentina realmente é algo especial. Depois de tanta vinícola, tiramos o dia para visitarmos Termas de Cacheuta, que fica a uns 20 minutos de Luján.
Por $65 dólares, o transfer busca você no Hotel, para um dia inteiro no Spa de Águas termais, das 9:30 am as 6:00 pm, incluindo almoço estilo buffet de comida criolla.
O Hotel ainda conta com uma cervejaria artesanal, oferece vinhos, massagens e tratamentos estéticos.
Estas foram as nossas opções de visitas, outros nomes como Cheval des Andes, famoso por ser dono da Cheval Blanc de Bordeaux, também podem fazer parte de seu passeio. E assim terão inumeras outras opções de roteiro, mas Mendoza é assim mesmo, por mais que visite muitos produtores, sempre vai ficar alguma vinícola excelente para trás, então faça suas escolhas e aproveite o passeio.
Finalizando Luján, rumamos ao Vale de Uco e no caminho paramos para almoçar no “Ojo de vino”, onde contaremos sobre as experiências gastronômicas do vale no próximo post!