A região de vinhos de Mendoza não está no centro e sim nas 3 áreas mais famosas no cultivo de uvas, são elas: Maipú, Lujan de Cujo e Vale de Uco.
O ideal é alugar um carro e ficar no mínimo uns 3 dias em cada região. E assim fizemos…
Bonarda é uma uva que deve levar tempo na maturação, para ter toques de groselha, figos e cereja. Se é colhida muito cedo toma aromas verdes e herbáceos.
Verdes e Herbáceos é o que caracteriza a Carmenere do Chile por exemplo, mas não é algo que gostariamos de encontrar em um bom Bonarda.
Incrivelmente, é considerada a segunda variedade mais importante, depois do Malbec, na Argentina. Com taninos sempre redondos é conhecido por ser um vinho fácil de beber.
Fizemos 4 visitas em Maipú, duas delas imperdíveis e outras duas que só valem a pena se você tiver tempo.
Vamos começar com as que valem a pena, e muito…
Nossa primeira visita foi na Bodegas Lopez.
Nesta vinícola encontramos vinhos que expressam muito a característica da uva e do terroir, por um detalhe muito importante, não usam barrica de carvalho!
Hoje em dia, quase que todos os grandes vinhos passam por carvalho, porém existe uma leva de Enólogos e sommeliers, buscando por vinhos que reproduzam mais as características do local e assim “caçam” os vinhos que chamamos de “sem madeira”.
Note que na Bodegas Lopez, podem ser usados tanques de até 35 mil litros, e até 120 anos de uso, passando quase nada de madeira aos vinhos.
Ao final, os Montchenot 5 anos, ficam mais 2 anos maturando em garrafa.
Este vinho custa apenas $12 dólares, um dos melhores custo x benefício que encontramos em Maipú.
Um dos motivos do preço baixo é o não uso de barrica de carvalho Francesa, que custa em média $1000 quando nova.
Também provamos a linha 10 anos, que fica 6 anos em tonéis de madeira e 4 anos em garrafa. Este já um vinho mais complexo, sem tanto frescor, comparado ao Montchenot 5 anos.
Detalhe que toda a linha Montchenot usa o mesmo blend com o passar dos anos, sendo Cabernet Sauvignon, Merlot e Malbec, com predominância da primeira.
Os vinhedos para a produção da linha Montchenot são de 1940!
Outro vinho a provar é o espumante Montchenot. Feito pelo método Charmat, com a segunda fermentação em tanques de aço inoxidável, possui as uvas Chardonnay, Semillon y Pinot Noir.
Apesar de não ser feito usando o método tradicional, traz características únicas que o colocamos como um dos melhores espumantes, em Charmat, que já provamos.
Em seguida fomos a famosa El Enemigo, onde você deve marcar hora para o almoço, que pode ser degustado com toda a linha da vinícola, 9 taças e que você pode repetir quando quiser.
Duas pessoas, escolhendo a degustação premium e almoço, sai $155 dólares. A costela de boi e copa de porco em cocção lenta, são os pratos a serem provados.
Em Saint Emilion, na França, apesar de não encontrarmos 100% Cabernet Franc, é onde a uva parecia se adaptar melhor, parecia… pois agora os argentinos produzem exemplares 100% Cabernet Franc (ou 85% para cima, pois se a garrafa possui 85% ou mais de um tipo de uva, pode ser considerado varietal na Argentina) e são os vinhos do momento.
Cabernet Franc é o pai da Cabernet Sauvignon, que foi um cruzamento de Cabernet Franc e Sauvignon Blanc. Possui taninos mais amáveis que os Cabernet Sauvignon e tem uma característica que agrada a muitos, altos níveis de Piracinas, o mesmo componente que traz aromas de pimenta e pimentão vermelho e verde aos Camernere Chilenos.
Em resumo se você gosta de Carmenere, vai amar Cabernet Franc. E onde prova-los em Maipú? Na El enemigo, sem sombras de duvidas, com o enólogo pop, o Messi dos vinhos...
El enemigo é uma vinicola que tem as mãos de Alejandro Vigil, Enólogo chefe da famosa Catena Zapata e que tem um Cabernet Franc que teve a maior pontuação dada por Robert Parker (100 pontos), até hoje, para um Cabernet Franc, na America do Sul. Note que apenas 230 caixas foram produzidas desta preciosidade.
O exemplar se chama El Enemigo Gualtallary, com taninos finos, caráter frutal e um toque de erva bem trabalhado, o que levara Parker a considerar o vinho “extraordinário”. Em sua vinificação, com intuito de preservar a fruta, nao foram usadas barricas novas no processo e sim, ovos de concreto, barricas francesas usadas e finalmente tanques de 3000 litros, que não acobertam as características dos vinhos com madeira.
Essa é uma parada obrigatória, apesar de caro, você tem a oportunidade de provar os 5 vinhos Cabernet Franc mais famosos da Argentina, todos single vineyard, são eles: Agrelo, El cepillo, Chacayes e Gualtalary (Todos Cab Franc) e Gran Enemigo (blend que varia a proporção de Cab Franc, Cab Sauvignon, Merlot, Malbec e Petit Verdot, ao passar das safras). Este almoço harmonizado, onde você provavelmente vai encontrar Alejandro Vigil caminhando entre as mesas, junto com o almoço harmonizado nas Bodegas lopes, são provavelmente as melhores experiências eno-gastronômicas da Argentina.
As maiores diferenças estão em um vinho sem influência da madeira, “neutros” e em que os ovos de cimento não precisam ser limpos, pois o composto de que são fabricados não absorve o vinho durante a fermentação ou maturação.
A similaridade está na porosidade do cimento, que libera a entrada de oxigênio muito parecida ao poros da madeira.
No ano 1885, Felipe Rutini mandou a construir uma vinícola à que chamou La Rural. Nesse mesmo ano, com a chegada da ferrovia à província, o transporte do vinho logrou agilizar-se, impulsando a indústria.Rutini foi o primeiro a colocar videiras no Alto Valle De Uco e utilizar inovadores processos de elaboração, o que permitiu à vinícola construir um sólido crescimento ao longo da história.
Atualmente, La Rural é um dos mais importantes produtores de vinho de alta qualidade do mundo.
Se você tiver tempo extra, outros nomes a se pensar para uma visita são Domaine St Diego e família Zuccardi. Opções são muitas, você sempre vai encontrar alguém falando: Você não foi lá? Não foi nessa ou naquela?
Então façam suas escolhas que com certeza será uma excelente viagem, a maioria produz ótimos vinhos e algumas, vinhos mais que excelentes.
Agora seguimos viagem, para Luján de Cujo e Vale de Uco.
Aguardem os próximos posts que estarão imperdíveis, com dicas valiosas para quem quer visitar Mendoza.
Salud!