Fomos convidados pela agência Criatur turismo para conhecer de perto a única região do mundo capaz de ter até 3 colheitas (duas safras e meia) ao ano, sendo referência na uva Syrah e espumantes, onde os viticultores e enólogos conseguem replicar, através do manejo de poda e irrigação, as quatro estações do ano.
Fizemos um roteiro de 4 dias, começando por um city tour em Petrolina e Juazeiro, onde o principal atrativo é o Rio São Francisco, onde dele podemos extrair muito do contexto histórico, cultural, político, turístico e econômico das duas cidades. Destaque para a loja cultural “casa das arretadas”, um espaço colaborativo que visa conectar principalmente as mulheres empreendedoras da região.
Ineldo Tedesco, enólogo, descendente de imigrantes Italianos, testou em 1984 as uvas do vale do São Francisco, se tornando um dos pioneiros da região e em 1985 lançou no mercado o primeiro vinho do vale do São Francisco. Em 2008, foi a vez de produzirem os primeiros vinhos e espumantes orgânicos do Nordeste, sendo a vinícola Bianchetti uma peça importante no desenvolvimento da região.
Os vinhos tropicais do Vale do São Francisco são, na sua maioria, jovens, frescos, aromáticos, frutados e florais, e estão disponíveis ao consumidor em qualquer época do ano. Mas também são elaborados vinhos de guarda e vinhos nobres, com colheitas de uvas em períodos específicos do ano. Em função do clima quente ao longo do ano, a produção se mantém de janeiro a dezembro, com duas podas e duas safras anuais, com possibilidades de colheitas escalonadas ao longo do ano nas diferentes parcelas de vinhedos.
Os tipos de produtos autorizados na IP são os vinhos tranquilos brancos, tintos e rosés e vinhos espumantes brancos e rosés (bruts, demi-secs e moscatéis), elaborados com 100 % de uvas produzidas na área geográfica delimitada. Foram autorizadas, para fins de elaboração dos vinhos, 23 cultivares de uvas Vitis vinifera L., indicadas pelos próprios produtores, pela adaptação e desempenho na região.
Brancas: Arinto, Chardonnay, Chenin Blanc, Fernão Pires, Moscato Canelli, Moscato Itália, Sauvignon Blanc, Verdejo e Viognier.
Tintas: Alicante Bouschet, Aragonês, Barbera, Cabernet Sauvignon, Egiodola, Grenache, Malbec, Merlot, Petit Verdot, Ruby Cabernet, Syrah, Tannat, Tempranillo e Touriga Nacional.
“O sonho da IP nasceu com a gente no Vale dos Vinhedos e se espalhou pela Campanha Gaúcha e pelo Vale do São Francisco. O caminho foi longo, mas o resultado é uma grande conquista para a vitivinicultura brasileira. Ao investir em terroirs tão diferentes, nunca tivemos dúvida de que cada um deles tem sua própria identidade, formando essa diversidade única que somente o Brasil oferece. Estamos muito felizes e certos de que esta IP vai garantir maior inserção dos produtos no mercado. O Selo é a segurança de que o consumidor irá encontrar o perfil qualitativo daquele terroir”, destaca Adriano Miolo, diretor superintendente da Miolo Wine Group.
Adriano ressalta, ainda, que o reconhecimento da aposta da vinícola feita há anos em uma região ainda a ser desbravada pela vitivinicultura e 100% única no mundo, além de agregar valor aos produtos, dá segurança ao consumidor que pode escolher rótulos certificados. A conquista valoriza as propriedades e cria uma unidade de estilo que reconhece a identidade do local. Em relação ao enoturismo e à venda dos produtos com o Selo, a expectativa é positiva, a exemplo do que vem ocorrendo com o Vale dos Vinhedos e a Campanha Gaúcha, diante do aumento da visibilidade.
Para entender a vitivinicultura do semiárido nordestino, a Miolo participou de um projeto de pesquisa de 5 anos que reuniu mais de 40 profissionais. O trabalho foi liderado pelo pesquisador Giuliano Elias Pereira, da Embrapa Uva e Vinho. A parceria realizada entre instituições de pesquisa, ensino e setor produtivo foi fundamental para aprimorar a qualidade produtiva da região e descobrir quais as variedades que mais se adaptam ao local. Particularidades ambientais, disponibilidade de infraestrutura de irrigação, investimento em desenvolvimento científico e tecnológico apropriado às condições locais, mapeamento das oportunidades de mercado e empreendedorismo da iniciativa privada permitiram a obtenção da IP pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).
O grande diferencial da IP Vale do São Francisco é a localização geográfica – em zona tropical -, além de atender requisitos equivalentes aos da União Europeia em relação a área delimitada, produção de uva no local, tipos de vinhos, variedades de uvas autorizadas, produtividade controlada, padrões enológicos definidos, elaboração na região, qualidade analítica e sensorial, e o controle para atestar a conformidade dos vinhos. A IP protege vinhos originais de uma região com uma geografia particular. A paisagem vitícola é emblemática, com vinhedos irrigados pelas águas do São Francisco, com a caatinga e suas cactáceas no entorno e morros com formações geológicas que se destacam na planície.
Alimentados pelo Velho Chico, os vinhedos da Terranova, que ganharam raízes a partir de 2001, colorem e perfumam o ambiente que já foi sertão, transformando a paisagem do lugar. O primeiro vinho elaborado na região foi o Terranova Shiraz. A partir daí, a produção de espumantes foi intensificada, sobretudo com o Terranova Moscatel, espumante mais vendido da marca. De lá para cá, a empresa alcançou 200 hectares plantados e uma indústria com uma produção de 4,5 milhões de litros por ano. É lá que nasce o Testardi Syrah, o ícone do grupo no Nordeste, um dos Sete Lendários, que traz a máxima expressão da variedade em terras brasileiras. Os vinhos que nascem desses vinhedos expressam um mundo particular e ao mesmo tempo tão diverso que é o nordeste brasileiro. Desta unidade, são elaborados todos os rótulos Terranova, além de alguns das marcas Miolo e Almadén.
*Cretidos agência ConceitoCom Brasil