Vivemos em Florianópolis e foi a primeira vez na serra, isso mesmo, vergonheira… Mas enfim, nos redimimos com louvor.
Dia 1 - Saímos de Floripa com o intuito de comer pratos com pinhão, trutas, charque, queijo serrano, pratos com maçã, e claro, muitos vinhos. Tendo isso em mente, nossa primeira parada foi o tradicional restaurante Galpão tropeiro, em Rancho Queimado, a 90km de Florianópolis.
Um Patrão de tropa chamado Teófilo Schutz, trazia o gado com sua tropa de Lages até o distrito de Rancho Queimado chamado Taquaras. Marcelo Schutz, neto de Teófilo, resgatou as memórias de família em um restaurante com fogo de chão e panelas de ferro que serve um buffet típico da região. Nos hospedamos em uma região chamada Invernadinha, (aí vai de você buscar no Airbnb ou booking o que está disponível na data de sua viagem, qual seu budget e suas expectativas de hospedagem) antes de começar a subida para a serra, pois descobrimos que ali, existe um lugarzinho chamado Cantina Alto da Invernadinha, que oferece uma degustação de queijos e vinhos locais.
Dia 2 - No dia seguinte fomos em direção a Bom retiro, para o famoso almoço harmonizado da vinícola Thera. Porém, sugerimos que você faça uma parada no “Quintal di Catarina”, ao lado da “Venda do amigo”, onde você encontrará diversos produtos coloniais, como doce de leite de ovelha, trutas defumadas, queijo serrano, salame, torresmo e ótimos pães caseiros. Vale muito a parada, principalmente se você optar por ficar em algum Airbnb sem restaurante por perto.
E logo a frente temos a casa do mel, onde você pode encontrar o famoso mel de Bragatinga, feito pela abelha através da secreção da Cochonilha, insetos sugadores de seiva que infectam a arvore Bracatinga. As abelhas usam sua secreção para fazerem o mel de Melato, que possue propriedades medicinais, mais escuro e não cristaliza sendo 90% da produção exportada para a Europa. Ou ainda o mel “Canudo de pito”, planta nativa da região de São Joaquim, é frequente em regiões com altitude de 1000 a 1100 metros, comum no Planalto Catarinense. O mel proveniente das flores de canudo-de-pito já foi eleito o melhor do mundo e pode vir a ser mais um produto catarinense a receber o reconhecimento de indicação geográfica. O mel de canudo-de-pito já foi mundialmente reconhecido quando ganhou o concurso de melhor e mais doce mel do mundo no Congresso Internacional de apicultura em Atenas, na Grécia, em 1979.
Nos hospedamos na pousada trinca ferro, que fica bem na saída da vinícola, que por sinal também possui hospedagem.
Dia 3 - Depois de um excelente café da manhã na pousada, seguimos viagem para Urubici, onde visitamos o morro do Campestre.
Cascata véu de noiva (bem mais bonita ao vivo do que nas fotos)
Nos hospedamos dois dias em Urubici, em uma pousada na montanha, a beira de um vale, chamada Recanto das Araucárias. Foi com certeza uma atração extra que não estava no roteiro de Urubici.
Dica: Provem e levem para casa o Pinot Noir e não deixem de provar a cozinha de pato!
Logo após esta experiência decepcionante, ai sim… “É oto patamar”, um belo passeio nos vinhedos, atendimento personalizado, e o clássico Sauvignon Blanc da região, jovem ou barricado, nos fizeram entender a fama desta uva na serra em uma experiencia fantástica na vinícola Villagio Bassetti .
Uma parada obrigatória é a Sanjo, onde você compra suco de maçã, cidra, e claro, vinhos. O atendimento da loja é fantástico e explicam os detalhes de cada produto, uma verdadeira aula sobre maçãs.
Dia 6- Em mais um belo dia de sol, fomos até a vinícola Leoni Di Venezia. Histórias, vinhos laranja e castas italianas que se adaptaram muito bem ao terroir (fatores climáticos e geográficos do territorio, somados as características culturais dos povoadores) da dominante Sauvignon Blanc.
No produto final temos a uva Montepulciano, com sua estrutura e potência, que estagiou por 8 meses em carvalho em harmonia com a Sangiovese, uva elegante que da nome aos famosos vinhos italianos, Chianti e Brunello de Montalcino. Você não pode nem pensar em perder o almoço harmonizado na vinícola Monte Agudo. Ele é muito famoso e querido no mundo dos vinhos, pois do meio dia as 14:30 você tem vinhos ilimitados, isso mesmo! Ai meus amigos, pode passar a régua e ir para o hotel…
Dia 8 - Mirante da Serra do rio do rastro! IMPORTANTE! A serra fica aberta apenas na madrugada de Segunda a Sexta-feira, por isso optamos por desce-la no Sábado, que fica livre o dia todo.
Em seguida visitamos a vinícola Casa Del Nonno, onde tivemos o prazer de fazer uma degustação com o dono, Renato Mariot e ter uma verdadeira aula de história na primeira vinícola do mundo a produzir um espumante de uvas Goethe.
Nossa hospedagem em Urussanga foi na aconchegante pousada Vigna Mazon, vinícola familiar e histórica de Urussanga, comandada por mulheres!
A vinícola foi fundada em 1970, sendo a primeira em SC a produzir uvas e vinhos de viníferas como a Merlot e Cabernet Sauvignon, vindas do Chile e da França. Também foram pioneiros em oferecer o enoturismo no estado. Hoje são especialistas nas uvas Goethe e um dos responsáveis em mostrar ao País a qualidade dos vinhos de Urussanga.
Tivemos uma degustação harmonizada logo na chegada, muito bem apresentada pela Luiza, sommelier formada pela ABS e filha da dona da pousada, a Patricia, que nos atendeu com muita simpatia. Luiza fez uma visita pela propriedade, vinhedos e nos brindou com uma degustação de 5 rótulos dos vinhos e espumantes da Mazon, harmonizados com alimentos típicos do vale das uvas Goethe.
Note que existem outras vinícolas pelo caminho, mas infelizmente você precisa selecionar algumas e ouras injustamente podem ficar fora do roteiro, como foi o exemplo da Villagio Conti, que não fomos por falta de tempo.
Concluímos nossa visita orgulhosos de Santa Catarina, com sua beleza, receptividade e produtos que se já não conseguiram indicação de origem, estão no processo, como o Mel de Bracatinga, a banana de Corupá (a mais doce do País), a maça Fuji, o queijo Serrano, uva Goethe, erva mate, e agora, os vinhos de altitude que abrangem 29 municípios, correspondendo a 20% do território Catarinense. Trata-se de mais uma indicação geográfica concedida pelo INPi à região de SC. A primeira foi justamente para vinhos da uva híbrida Goethe.
Salud e viva Santa Catarina