Ao se chegar em uma area produtora de vinho, além da duvida de quais produtores visitar, temos sempre o questionamento de onde se hospedar?
Resolvemos ficar exatamente no coração da região de Valpolicella, na cidade chamada San Pietro in Cariano.
Valpolicella é uma região da província de Verona, que produz em sua maioria vinhos tintos, feitos principalmente com a uva Corvina sendo a dominante nos blends. Outras duas uvas populares que complementam os cortes de Valpolicella são: Rondinella, Corvinone e Molinara.
Os vinhos básicos de Valpolicella são servidos um pouco gelados, devido a sua leveza e semelhança com os beaujolais.
Note que temos 4 principais tipos de Valpolicella: Valpolicella, Classico, Superiore e Ripasso.
Se o vinho apresenta no rótulo apenas a Palavra Valpolicella, isso quer dizer que as uvas podem vir de toda a região DOC (Note que temos DOC e DOCG, sendo os DOCG os vinhos Italianos com melhor qualidade). Já os Valpolicella Classico, são aos rótulos de uvas provenientes apenas das primeiras áreas a produzirem vinhos na região, considerada a área principal de Valpolicella. Para atingir a categoria Superiore, os vinhos precisam ficar ao menos 1 ano em madeira e atingir o mínimo de 12% de teor alcoólico. Finalmente temos o Ripasso, onde já começamos a ter um vinho mais especial e que começa a dar pistas de como são os Amarones... Mas para entendermos os Ripasso, temos que entender de Amarone. E para entendermos sobre Amarone, temos que entender sobre Recioto. Por que? Imagine que sem Recioto não existiria Amarone, que não existiria Ripasso. Vamos explicar...
Recioto é um vinho doce, que passa pelo mesmo processo de fabricação do Amarone, chamado Appassimento. Neste processo, as uvas são colhidas e colocadas em esteiras para secarem, por até 4 meses. Com isso as uvas perdem até 40% do seu peso em água. O resultado é uma fruta extremamente concentrada e doce, que vai produzir o Recioto, um excelente vinho de sobremesa.
Um Amarone passa respeito, um vinho que chega facilmente a mais de 16% de teor alcoólico, encorpado, envelhecem por muitos anos em madeira (Neutra), que precisa de tempo para ser apreciado (geralmente 10 anos, podendo ainda evoluir por mais de 20 anos) que pede uma bela carne ou uma barra de chocolate na frente da TV, ou ser for mais ousado, apenas Amarone com lascas de queijo Parmigiano-Reggiano.
Mas quem é o dono da festa? Qual o Amarone mais famoso da Região? Qual seria, talvez, o vinho mais famoso da Itália?
Pegamos o telefone e ligamos para a Azienda Agricola Quintarelli Giuseppe, tendo a petulância de dizer que, Locoporvino gostaria de visita-los... Resultado: “Claro que sim, será um prazer recebe-los”. Como diz um amigo meu Gaúcho, “ai caiu os butiá do bolso”.
Localizada pertinho da vila de Negrar, a vinícola Quintarelli, tinha sob comando um senhor que era considerado o melhor winemaker da Itália, Giuseppe Quintarelli, falecido em 2012.
Hoje sua família continua o legado do Amarone mais caro da Itália. (Uma garrafa na vinícola custa em torno de 200 euros, e Vintages mais antigas passam facilmente dos 500 euros.) Fomos recebidos por Francesco Grigoli, neto do Sr Giuseppe.
Um vinho excelente, que nos impressionou, foi a versão “Amarone” de um 100% Cabernet Sauvignon, produzido exatamente como um Amarone, porém sem as uvas exigidas pela DOCG, por isso não pode se chamar Amarone.
Burro ensopado com Polenta (Isso mesmo, carne de burro)
Salute!